Papel da Cloud na construção da Indústria 4.0

Indústria 4.0 será operada por robôs que se comunicarão pela Internet das Coisas com sistemas em Cloud. Conceito já é praticado pelas montadoras de carro

A tão falada transformação digital está se expandindo também para os complexos fabris para a construção da chamada Indústria 4.0, a fábrica do futuro que será operada por robôs, com pouca intervenção humana. Muitos dos recursos de Tecnologia da Informação (TI) que farão parte da engrenagem das manufaturas inteligentes serão processados em Cloud Computing (Computação em Nuvem).

O conceito de fábrica do futuro faz parte da quarta revolução industrial. A primeira foi a invenção da máquina a vapor, a segunda a da eletricidade e a terceira a da automação da produção em massa, com entrada de robôs nas linhas de montagem.

Agora a Indústria 4.0 traz a digitalização total às fábricas e dá voz às máquinas para que conversem online com toda a cadeia de produção. A comunicação será pela Internet das Coisas com aplicações e dispositivos em Cloud Computing.

Na Indústria 4.0, as peças saem do estoque, se identificam na linha de montagem por meio de um chip de radiofrequência (RFID), sabem com que outras partes vão se integrar e caminhos a serem percorridos no chão de fábrica para manufatura dos produtos até sua venda.

Como a operação é, em grande parte, feita por robôs, tudo funciona silenciosamente na Indústria 4.0 com ambiente bem diferente das atuais fábricas.

Origem do conceito de Indústria 4.0

O conceito de Indústria 4.0 nasceu no setor automotivo e dará grande sustentação à produção do carro 100% autônomo, previsto para chegar às ruas em meados de 2020. A ideia da construção de fábricas digitais surgiu volta de 2008 na Alemanha, sede de montadoras gigantes. Os fabricantes de carros encontraram no conceito de Indústria 4.0 uma resposta para enfrentar a crise econômica dos Estados Unidos daquela época, com impactos na Europa e em outros mercados. A digitalização também tinha o objetivo de fortalecer as marcas europeias para competir com as montadoras da China, que são agressivas com produtos de baixo custo.

Estágio da Indústria 4.0

O esforço das montadoras para construir a Indústria 4.0 se fortaleceu com o avanço de novas tecnologias como a comunicação de máquina a maquina (M2M), Internet das Coisas e Computação em Nuvem. Segundo consultorias de pesquisas, cerca de 30 fabricantes globais de carros já praticam o conceito de Indústria 4.0. Um dos exemplos é uma fábrica automotiva, em Munique, na Alemanha, onde o índice de digitalização está acima de 90%, com produção realizada praticamente por robôs inteligentes.

Entretanto, a Indústria 4.0 ainda enfrenta o desafio de integração com todos os sistemas corporativos e de chão de fábrica, bem como da criação de uma linguagem padrão de comunicação. Entre as vantagens da digitalização das fábricas estão redução de custos, desperdício de matéria-prima, aumento da qualidade dos produtos e diminuição do tempo de manufatura.

Era da Indústria 4.0 no Brasil

O tema Indústria 4.0 já faz parte das discussões de empresas no Brasil, revela uma pesquisa da Confederação Nacional da Indústria (CNI) sobre adoção de tecnologias digitais. O estudo divulgado em maio deste ano envolveu 2.225 empresas de todos os portes.

Entre as indústrias entrevistadas, 73% revelaram usar ao menos uma tecnologia digital em seus processos de manufatura. Outras 47% informaram que se apoiam nessas ferramentas para desenvolvimento da cadeia produtiva. Apenas 33% afirmaram que utilizam sistemas digitais para gerenciar novos produtos e negócios.

A CNI constatou que pouco menos da metade das industriais entrevistadas utiliza, no mínimo, uma das dez tecnologias digitais listadas na pesquisa, como automação digital sem sensores, prototipagem rápida ou impressão 3D e serviços em Nuvem.

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